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17/08/2012 - ESPECIAL
O papel do PAS/UnB na formação do cidadão
Cespe/UnB apresenta o Programa em evento voltado para estudantes. Duas oficinas de leitura e redação completaram a participação do Centro
Wilton Castro e Maíra Andrade Da Assessoria Técnica de Comunicação do Cespe/UnB
O ensino médio sofre influência inegável dos processos de acesso à universidade. Por outro lado, em se tratando do Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB), as escolas, professores, estudantes e seus pais também podem contribuir para a evolução da forma de avaliação adotada pelo Programa. “O principal pressuposto do PAS/UnB é fazer com que essa influência seja positiva e seja uma construção coletiva entre universidade e ensino médio”, defendeu Marcus Vinícius Soares, Coordenador de Pesquisa em Avaliação do Cespe/UnB.
O aperfeiçoamento do PAS/UnB e sua forma de avaliar os estudantes foram debatidos durante apresentação do Cespe/UnB na Arena do Conhecimento da Feira Capital Estudante, nesta quinta-feira (16/8), em Brasília. Participaram do debate, além do Coordenador Marcus Vinícius, o Coordenador Acadêmico, Paulo Portela, e a colaboradora da Coordenadoria de Pesquisa em Avaliação, Elianice Silva Castro, ex-aluna da UnB que foi aprovada no Subprograma 2000 do PAS/UnB para o curso de Pedagogia. A Feira Capital Estudante ocorre até o próximo dia 19 no Shopping Pátio Brasil.
Cerca de 400 alunos de escolas públicas e particulares puderam conhecer melhor como funciona o Programa. A maioria já participa da avaliação e alguns deles aproveitaram para tirar dúvidas sobre, por exemplo, a pontuação necessária para ingressar na UnB após passar pelas três etapas de provas. “Ao final do programa calcula-se uma média ponderada que é considerada no cálculo do argumento final do candidato. A UnB quer alunos que se distanciem da média”, explicou Paulo Portela. Os critérios de eliminação nas provas, como a nota de corte das questões discursivas (tipo D), também foram destacados por ele.
Marcus Vinícius lembrou ainda outro objetivo do PAS/UnB de “quebrar” o modelo de avaliação apenas do conhecimento. “A cobrança vai além e exige competências e habilidades dos estudantes. E as provas são integradas em dois pilares: contextualização e interdisciplinaridade”, explicou. As bases de avaliação dos alunos são discutidas entre os professores da UnB e as escolas desde a criação do Programa, por meio de reuniões e fóruns voltados à construção e revisão da Matriz dos Objetos de Avaliação, dos Objetos de Conhecimento e de suas obras.
ESPÍRITO CRÍTICO – A atual estrutura do PAS/UnB foi definida em 2006. As provas são elaboradas com base em cinco competências e quatro conjuntos de habilidades. Segundo Portela, desenvolver habilidades e competências permite aos alunos descobrirem como aplicar o conhecimento adquirido na escola. “Muito mais do que avaliar o conhecimento assimilado no ensino médio, o PAS/UnB desafia os estudantes a empregarem o conhecimento em questões que avaliam o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para solucionar situações-problema”, provocou ele para uma platéia atenta.
Durante o evento, o incentivo para encarar as três provas ao final de cada ano do ensino médio partiu de Elianice Castro, colaboradora da Coordenadoria de Pesquisa em Avaliação do Cespe/UnB. Ela argumentou que a escola tem a obrigação de formar cidadãos preparados para enfrentarem adversidades. “Procurem se mobilizar junto à direção da escola para ver se a Matriz dos Objetos de Avaliação do PAS/UnB está sendo considerada na programação de estudos. É importante ter este espírito crítico”, estimulou.
OFICINAS - Além da palestra, a Gerência de Interação Educacional do Cespe/UnB promoveu as oficinas “Ler com compreensão” e “Escrever com competência”, ministradas pela Gerente do setor, a professora Ormezinda Ribeiro, e pela professora Marcia Bortone, do Instituto de Letras da UnB, ambas com doutorado em linguística aplicada ao ensino de língua materna.
A estratégia usada nas oficinas foi a de analisar questões de leitura e produção textual em uma prova do PAS/UnB já aplicada, explicando aos alunos os motivos que levavam cada uma das questões a serem consideradas certas ou erradas.
Cerca de 300 alunos prestigiaram as oficinas. A professora Marcia explica que “é fundamental levar os alunos a entenderem a metodologia que está por trás da correção das questões, o que estimula o professor a buscar novos caminhos metodológicos no seu cotidiano de sala de aula”. O resultado foi surpreendente na visão das professoras. “Não esperávamos um público tão grande e, sobretudo, interessado. Essa surpresa foi muito agradável, pois com mais pessoas, a chance de elas se tornarem multiplicadores aumenta”, afirma Ormezinda.
Os alunos interagiram bem. Daniela Silva, 17 anos, Geiseane Pessoa, 16, e Maiane Simas, 16, estudantes do segundo ano do ensino médio de uma escola pública de Arapoangas, em Planaltina (DF), ficaram satisfeitas com o evento. “Fiquei muito feliz com as dicas que as professoras deram sobre como conduzir os estudos. Esse ano, faço a segunda prova do PAS/UnB e é muito importante ter uma boa nota”, analisa Maiane. As alunas contaram que estão focadas principalmente na disciplina de Língua Portuguesa, pois acreditam que é uma das avaliações mais difíceis nos processos seletivos.
Entre uma questão e outra, as professoras enfatizaram assuntos como a importância da leitura para uma boa redação e o papel de pais e educadores no processo de aprendizagem. “Ler e escrever com proficiência são as condições essenciais para a cidadania” conclui Marcia Bortone.
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